Camila tentou seguir o dia como se nada tivesse saído do lugar. Mamada, fralda, banho, cochilo. Por dentro, tudo estava torto. O corpo ainda doía da banheira, a pele guardava o peso das mãos de Rafael, a lembrança dele perdido nela vinha em ondas, misturada à frase fria que ouvira depois sobre divórcio se ela voltasse a ser violenta. Nada tinha sido conversado; só havia sexo, silêncio e a sensação de que o chão sob os dois ficara mais rachado.
Quando o bebê dormiu, o quarto pareceu pequeno demais. Ela desceu com o cabelo preso, shorts largo, blusa leve marcando a barriga, chinelos. Precisava ver o pátio, respirar outro ar que não o do berço.
Caminhou até a guarita. Miguel, o segurança mais novo, estava de plantão. Alto, forte, moreno, rádio no ombro, expressão séria. Quando a viu, endireitou o corpo e tirou o boné.
— Bom dia, dona Camila. — Sorriu, um sorriso rápido, amigável. — Sumiu daqui.
Camila sentiu o rosto relaxar num sorriso que não dava há dias.
— Estou trancada com fralda e