CAPÍTULO 230

Camila passou a manhã presa à rotina como quem se agarra em destroços. Mamada, arrotar, fralda, cochilo, mamadeira, paninhos de boca no varal. O corpo fazia tudo certo; por dentro, parecia ruína. A banheira voltava em flashes: a mão de Rafael na sua cintura, o peso dele entre as pernas, a voz rouca no ouvido. Agora a cozinha cheirava a leite morno, não a sabonete, e o único som que cortava o ar era o choro do bebê, não o próprio gemido.

Estava sensível demais. Quando o filho agarrou o dedo dela na mamada, os olhos encheram de lágrimas. Quando um prato bateu forte na pia, sentiu vontade de mandar o mundo calar a boca. Ao abaixar para pegar um brinquedo, a lembrança de Rafael entre as pernas veio tão viva que precisou respirar fundo antes de se endireitar. Excitação e irritação misturadas, atravessando o mesmo corpo cansado.

O pior era saber, com lucidez incômoda, que sexo com ele nunca tinha sido solução. Na banheira, ele a acendeu como sempre: seguro, bruto, focado nela. Assim que a á
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