Camila saiu do banho e recusou o moletom de sempre. Vestiu um vestido de algodão escuro que marcava a barriga e a cintura, deixou as pernas à mostra, prendeu o cabelo em um coque alto rápido, passou rímel e perfume leve. Queria lembrar a si mesma que ainda era mulher, não só gravidez e preocupação.
Saiu do quarto rumo à cozinha. No corredor meio escuro, virou a esquina e quase trombou em Rafael.
Ele vinha subindo, camisa abotoada, mangas dobradas, casaco no ombro, gravata enfiada no bolso, cheiro de perfume caro. Parou no ato; ela também. O corredor pareceu estreitar.
Por um momento, só se olharam. O olhar dele desceu e subiu: pescoço, peito, barriga, pernas nuas. Rápido, mas não o bastante para passar despercebido. Camila sentiu como se ele tivesse encostado sem tocar.
Ele quebrou o silêncio.
— Você está saindo demais.
A frase veio seca, como constatação. Nela cabiam portão, boutique, carro passando pelo portão, ciúme. Camila engoliu.
— E você está sumindo demais — devolveu. — A dife