Camila achou que o dia seria simples: sair com Ingrid para experimentar roupas, voltar cansada, mas com a sensação de ter feito algo por si. Estava na mesa do café, mexendo na torrada, quando o celular vibrou.
“Ingrid: Boutique Lúcia, 15h, rua atrás da praça, provador enorme. Posso pedir para separarem vestidos leves para grávida.”
Camila sorriu e respondeu: “Pode avisar. Depois do almoço a gente vai.”
Não percebeu Rafael se aproximar por trás, xícara na mão. Viu apenas a sombra dele sobre a mesa no instante em que a tela, ainda acesa, mostrava o nome da loja e o horário. Ele não leu o topo da conversa, não viu “Ingrid”. Registrou só o que a parte errada do cérebro quis: boutique, rua discreta, hora marcada.
— Algum compromisso hoje? — perguntou, como quem fala de nada.
Camila bloqueou o aparelho por reflexo.
— Preciso sair um pouco depois do almoço — disse.
Levantou-se para pegar mais café. A resposta ficou vaga o bastante para alimentar qualquer coisa. Depois de dias vendo a forma c