Camila acordou com o corpo cansado e a cabeça latejando, fruto de uma noite em que o sono veio aos pedaços, cortado por lembranças do corredor. Cada vez que fechava os olhos, ela se via de novo com o peito quase colado ao de Rafael, as frases afiadas entre os dois, o quase-beijo que não aconteceu. Quando finalmente levantou, decidiu que não ia passar o dia trancada repetindo a cena dentro da própria cabeça.
Vestiu uma calça jeans que ainda servia, uma blusa leve de tom claro que marcava a barriga na medida certa e deixava o pescoço descoberto, prendeu o cabelo em um meio-rabo improvisado e passou o mesmo perfume suave de outros dias. Não tinha nada de festa ali, nada de produção exagerada; era só o jeito que encontrara de lembrar que existia como algo além da mulher largada na beira do sofá. Ainda assim, sabia que, se ele a visse assim, iria interpretar.
Na cozinha, Ingrid comentava sobre contas, funcionários, a vila.
— Preciso passar na mercearia e falar com o Joaquim sobre a entrega