Rafael estava em um dos veículos de apoio, fone no ouvido, expressão dura; ergueu o olhar na direção dela por poucos segundos, um gesto rápido, quase um aceno, antes de os faróis sumirem na primeira curva.
— Você ainda pode mandar ele parar com isso — disse Ingrid, mantendo a voz baixa. — Dizer que não quer o pai do seu filho se metendo em operação de caça a psicopata.
— Ele já estava nisso antes de eu engravidar — respondeu. — Agora eu só sei o tamanho do buraco em que ele estava metido.
— Mesmo assim, não precisava ser ele na linha de frente.
— Precisava, sim — Camila rebateu. — Não dá para tirar o Mena da estrada com advogado ou comunicado. Ele entende a linguagem de caminhão, de rota, de ameaça lateral. Rafael fala essa língua melhor do que qualquer um aqui.
O portão de ferro se fechou atrás do comboio com um som comprido. Camila entrou na casa, mas ficou na sala principal, incapaz de se afastar do telefone. Sentou, levantou, andou até a janela e de volta, passando a mão pelo vent