Herrera tinha acabado de sair com a pasta debaixo do braço quando o escritório pareceu encolher. A porta fechada deixou para trás a ata aberta sobre a mesa e o nome do pai de Camila cercado por assinaturas que o transformavam em culpado oficial. Ela continuava sentada, os cotovelos nos joelhos, os olhos presos na folha.
Não era só descobrir que ele não tinha sido imprudente. Ele tinha visto o risco, tinha pedido a parada, tinha tentado impedir, e mesmo assim foi oferecido como bode expiatório enquanto o conselho se protegia atrás de jargões e notas à imprensa.
— Camila.
A voz de Rafael veio perto. Ela não respondeu. Manteve o olhar nas linhas que falavam em “resolução rápida da crise” e “minimizar danos de imagem”, como se vidas fossem dano colateral.
— Fala comigo — ele insistiu.
Camila ergueu o rosto. Os olhos ardiam, mas a raiva segurava o choro.
— Eu passei anos acreditando que o meu pai tinha sido o idiota distraído da história — disse. — Que tinha deixado passar alguma coisa, qu