Herrera entrou no escritório com a pasta marrom de sempre debaixo do braço, mas, daquela vez, o jeito contido com que fechou a porta fez Camila erguer a cabeça na hora. Rafael estava de pé ao lado da mesa comprida, apoiando as mãos na madeira escura, enquanto Nicolás ocupava a poltrona baixa, meio largado, meio alerta. O ar tinha um peso estranho, como se todos já soubessem que nada ali seria leve.
— Trouxe o resultado da perícia dos bilhetes — Herrera avisou, indo direto para a mesa. — E alguma coisa que vocês precisam ver juntos.
Ele abriu a pasta, tirou um maço de folhas impressas e espalhou sobre a superfície. Havia cópias ampliadas dos bilhetes, recortes de documentos antigos, tabelas, setas rabiscadas de caneta indicando detalhes. Camila se aproximou sem pensar, atraída pelas palavras que a perseguiam havia dias.
— Começa pela caligrafia — Herrera sugeriu, puxando um dos papéis para o centro. — Quem escreveu os bilhetes também fazia anotações nos registros de transporte da Hacie