O clima entre eles ainda estava pesado desde a briga na sala de arquivos, mas o dia tinha andado, o bebê tinha mamado, chorado, dormido de novo, e a rotina empurrava os dois para frente. Era fim de tarde quando Rafael apareceu na porta do quarto, sem gravata, o rosto cansado.
Camila estava na poltrona, o filho apoiado no peito, a mão fazendo carinho automático nas costas pequenas.
— Ele dormiu? — Rafael perguntou, num tom baixo.
— Está quase.
Ele entrou devagar, fechou a porta e ficou perto da cama, sem se aproximar da poltrona.
— Como você está?
— Cansada, preocupada, irritada com você e grata por ele estar bem. — ela disse. — E você?
— O mesmo — respondeu. — Com a diferença de que eu mereço mais parte dessa irritação.
Ele olhou para o bebê, depois para ela.
— Posso segurar?
Camila hesitou. A imagem dele rasgando papéis voltou, depois veio outra: ele na porta da sala de cirurgia, branco de medo. Olhou para o filho, para o jeito como ele se agarrava à blusa dela.
— Pode. Senta aqui.