Na copa, enquanto pegava café, Ingrid encontrou um envelope deixado perto da fruteira. Papel comum, sem timbre, sem remetente, apenas o nome dela escrito à mão, com letra firme demais para ser de alguém pedindo favor.
Abriu o envelope com cuidado, sem rasgar. Dentro, havia um recorte de jornal local com a foto de uma das grávidas assassinadas. Ao lado, em papel branco, uma frase escrita em caneta escura.
“Quem segura a vida que devia ter caído, cai junto depois.”
IRafael estava ao telefone quando ela entrou, falando com alguém do conselho sobre relatórios antigos. Encerrou a ligação na metade da frase ao ver o envelope na mão dela.
— O que houve?
Ingrid colocou o envelope sobre a mesa.
— Chegou para mim. Na copa. Sem ninguém por perto.
Ele abriu sem perder tempo. Leu a frase, olhou o recorte, apertou a mandíbula até o músculo saltar.
— Já passaram da fase de testar fronteira — disse. — Agora estão chamando gente pelo nome.
— Não é uma ameaça genérica — Ingrid respondeu. — É para mim.