O resto do dia parecia ter sido cortado em dois: antes das planilhas… e depois delas.
Camila subiu para o quarto com a sensação de que o chão estava torto. O bebê dormia no bercinho portátil ao lado da cama, tranquilo, alheio ao terremoto que acabara de cair sobre o sobrenome Ríos.
Rafael apareceu minutos depois, fechando a porta com cuidado.
— Você quer repousar um pouco? — perguntou.
— Quero a verdade inteira — ela respondeu, sem rodeios. — Não em fatias. Não quando convém.
Ele respirou fundo, empurrando a poltrona com o pé para perto da cama.
— Eu imaginei que fosse dizer isso.
Camila cruzou os braços, a voz baixa para não acordar o bebê.
— Você destruiu documentos antigos da sua família?
Rafael congelou por um segundo.
— Herrera contou?
— Não. Eu vi os papéis rasgados no cesto. E vi você com a mandíbula travada. Não precisa ser gênio.
Ele passou a mão pelos cabelos, cansado.
— Eu não estava destruindo nada importante. Estava tirando do caminho o que podia ser usado contra você.
—