Camila ficou sozinha depois que Ingrid saiu, com o aviso de não ver TV, não discutir, não atender número estranho. O celular vibrou segundos depois.
Número fixo da cidade onde crescera.
Ela atendeu.
— Alô?
— Camila? — A voz veio carregada de drama conhecido. — É a tia Lúcia.
— Oi, tia.
— Eu vi você no jornal, menina. Grávida, no meio desse circo, com esse Villalba… — Um suspiro. — Você está na casa do homem que destruiu o teu pai. O mesmo sobrenome, a mesma empresa. Você não vê que está repetindo a história?
Camila olhou para a barriga.
— Eu estou bem. O bebê também.
— Por enquanto. — Lúcia continuou. — Escuta: tem um jornalista sério fazendo matéria grande sobre os Villalba. Ele quer ouvir o lado da vítima. O seu. O do teu pai. É a chance de limpar o nome dele.
— E por que agora? — Camila perguntou. — Depois de anos sem me ligar, por que essa preocupação toda justo no dia em que eu viro notícia?
— Porque agora o mundo está vendo. Antes ninguém queria saber. Agora você está aí dentro,