Rafael abriu a pasta e tirou o primeiro bloco de folhas, grampeado.
— Começa por aqui — disse, girando o papel. — Primeira auditoria.
Camila leu o cabeçalho, depois desceu para as linhas seguintes.
— “Ajustes não autorizados em testes de qualidade, possíveis desvios de matéria-prima…” — murmurou. — E o nome do meu pai logo embaixo.
— Porque ele chefiava o setor — Rafael explicou. — Quando alguém precisava de um culpado, apontava para ele.
Ela aproximou o rosto.
— Aqui diz que ele se recusou a assinar.
— Vê essa nota na margem? — Rafael apontou. — “Assinatura recusada, sujeito em desacordo com os ajustes.” Isso nunca foi mostrado ao conselho. Só tiveram o resumo: “perda de confiança”.
Camila ergueu o olhar.
— Você viu isso na época?
— Não naquele dia. Eu assinei o parecer que o jurídico preparou. Queria encerrar o escândalo rápido, estabilizar a empresa e segurar a minha cadeira.
— E a peça escolhida para salvar a empresa foi o meu pai.
— Foi.
Ela virou a página. Tabelas, códigos, data