Camila estava sentada na cama quando ouviu os passos de Rafael no corredor. O som era o de sempre, firme, mas naquela noite vinha mais pesado. Ele entrou sem paletó, a camisa escura aberta no colarinho, o rosto puxado pelo cansaço.
— Achei que ia dormir no conselho — ela comentou.
— Se eu ficasse mais um pouco, matava alguém — respondeu, fechando a porta. — Como vocês dois estão?
Ela levou a mão à barriga.
— Cansados do noticiário, mas vivos.
Ele checou o rosto dela, depois o monitor no canto do quarto, como se precisasse ver tudo antes de respirar.
— Ingrid disse que a pressão estabilizou — comentou.
— Estabilizou porque eu desliguei a televisão — Camila rebateu. — Ficar vendo gente debatendo se eu sou vítima ou cúmplice não ajuda ninguém.
Rafael soltou o ar devagar.
— Hoje eu passei o dia lidando com isso. Auditoria, rompimento com o escritório que usou seu nome, conselheiro fingindo surpresa, Arturo fingindo inocência. Estou cansado de ver gente tratando você como ferramenta.
— E c