A tarde caiu pesada sobre a Hacienda. O vento batia nas frestas das janelas, mas, no quarto, o mundo de Camila se resumia à cama, à poltrona e ao intervalo entre um exame e outro. Ela tentou ler um relatório antigo do laboratório, mas as letras começaram a se misturar quando a cabeça voltou para a mesma frase da madrugada: duas grávidas mortas em Jalisco.
Largou as folhas na mesinha e pegou o controle remoto. Passou por canais de culinária, novela, reality show. Parou no jornal bem na hora em que o apresentador mencionava a palavra que já parecia ecoar em todo lugar.
— “Medo de um assassino em série de grávidas cresce no estado…”
Camila não esperou mais: desligou na hora. O coração acelerou, a mão instintivamente pousando na barriga, como se pudesse proteger o menino de notícias que ele não ouviria.
A porta se abriu sem bater.
— Ainda bem que a Ingrid não viu isso — Nicolás comentou, entrando com uma pasta grossa debaixo do braço. — Ela me matava e depois te ressuscitava só para briga