Camila acordou com a claridade filtrada pelas cortinas e o cheiro de café no corredor. Por alguns segundos esqueceu assembleia, testamento, “herdeiro novo”. Até ver o blazer de Rafael na cadeira.
— Que horas são? — ela perguntou.
Rafael ajeitava o relógio.
— Cedo — respondeu. — Dia importante começa antes da hora.
Ela se recostou, sentindo a barriga pesada.
— Vai assim para encarar o conselho?
— Ainda estou decidindo a gravata. — Ele ergueu o tecido. — Nicolás quer “terno escuro, presidente responsável”. Nada de cara de ataque.
Ele riu de leve, mas os olhos estavam tensos.
— Não posso dar a eles a história que querem contar. Eu preciso parecer exatamente o que sou.
— E o que você é? — Camila perguntou.
— O homem que segurou essa empresa quando tudo desabou — respondeu. — E o pai do herdeiro que está aqui dentro.
Ela passou a mão na barriga.
— Então fala isso olhando na cara de cada um.
Bateram na porta.
— Entra — Rafael disse.
Nicolás surgiu com uma pasta fina.
— Bom dia para a realez