A batida na porta veio firme.
— Entra — Rafael disse.
Nicolás apareceu primeiro, fichário debaixo do braço. Atrás dele, o advogado magro, de terno claro e óculos finos.
— Desculpe invadir o quarto — o advogado começou. — Mas o senhor pediu para não se afastar da…
— Da mãe do meu filho — Rafael completou. — E ela não só fica como participa.
Camila ajeitou o travesseiro nas costas.
— Se vão decidir o futuro do sobrenome do meu bebê, eu não vou ficar no corredor. Podem sentar.
Nicolás puxou a poltrona, o advogado uma cadeira.
— Vamos direto ao ponto — o advogado disse, abrindo a pasta. — A assembleia terá três blocos oficiais: resultados, contestação com base no testamento antigo e apresentação do suposto herdeiro, depois o pedido de voto de confiança.
— E o meu bloco? — Rafael perguntou. — A minha resposta.
— É o que precisamos montar — respondeu o advogado. — Se você falar só com o fígado, eles te chamam de instável. Se falar gelado demais, te chamam de desumano.
Camila levantou a mão.