O ronco do motor foi meu companheiro até metade do caminho de volta. Cada rua parecia mais vazia, cada semáforo mais longo, e em cada parada eu me pegava lembrando dos olhos dela. A forma como cruzava os braços, o olhar que parecia atravessar minha pele, e, principalmente, aquela maldita resistência que só me fazia querer empurrar ainda mais os limites.
O celular vibrou no banco do passageiro. Peguei sem nem olhar o visor. — Fala, Moretti! — a voz de Léo, um dos meus velhos amigos de noitadas, veio carregada de energia. — Seguinte: vem aqui pra casa. Já chamei duas gatas e tem pó de sobra. Vai ser daquelas noites que você não esquece. Olhei para a rua adiante, acelerei um pouco e soltei um riso curto. — Você não perde tempo, hein? — Perder tempo é coisa de otário. — ele riu alto. — E aí, cola ou não? — Vou pensar. — respondi, jogando o celular de volta no banco. — Te retorno quando chegar em casa. — Não demora. Essas meninas não vão ficar te esperando pra sempre. Desliguei e deixei o carro correr. O convite parecia perfeito: sexo fácil, risadas, adrenalina artificial… exatamente o tipo de coisa que sempre me atraiu. Mas, por algum motivo, a ideia não despertava em mim o mesmo tesão de sempre. Tudo o que vinha à mente eram as bochechas coradas de Isabella, o jeito como ela me olhava quando queria me cortar pela raiz, e aquele silêncio carregado entre nós. Nenhuma droga, nenhuma mulher que Léo pudesse arranjar se comparava a isso. Cheguei em casa e joguei a chave no balcão. O apartamento estava mergulhado no silêncio, mas minha cabeça ainda fervia. Passei a mão pelo cabelo, respirei fundo e olhei para o celular. Ele estava lá, piscando no sofá, esperando minha decisão. Bastava um toque e eu teria uma noite inteira de excessos. Mas, em vez disso, caminhei até o quarto e me deixei cair na cama. O corpo pesava, mas a mente ainda corria em círculos ao redor dela. Isabella. Sempre Isabella. Fechei os olhos e tentei me desligar. Não consegui. Era como se o perfume dela tivesse impregnado na minha pele, como se o olhar dela ainda estivesse me julgando no escuro. Levantei, tirei a camisa, o sapato, como quem se livra de um peso depois de um dia longo. Fui direto para o banheiro. Girei o registro e a água quente começou a cair pesada sobre meus ombros, descendo pelo meu corpo, relaxando cada músculo. Apoiei as mãos contra a parede, a cabeça baixa, sentindo a água escorrer pelo rosto. Mas por mais que eu tentasse me desligar, a imagem dela não saía da minha mente: o jeito que mordeu o lábio quando relutou em aceitar minha carona, o olhar orgulhoso, quase desafiador, misturado com fragilidade. Saí do banho e enrolei uma toalha na cintura. Caminhei até o quarto, larguei a toalha de qualquer jeito na poltrona e me joguei na cama, completamente nu. O silêncio da noite só fazia meus pensamentos ecoarem ainda mais fortes. Fechei os olhos e a vi diante de mim. Isabella. O jeito que mexia nos cabelos, a boca carnuda, o perfume que ficou impregnado dentro do carro. Senti meu corpo responder imediatamente, meu pau endurecendo, acordando como se soubesse que ela estava ali comigo em pensamento. Segurei firme, deixando que a lembrança dela me consumisse. Imaginei sua boca perto da minha, o olhar dela se rendendo enquanto eu a puxava contra o peito. Meus movimentos foram ficando mais intensos, guiados apenas pelo desejo que ela despertava em mim. O prazer foi crescendo rápido, uma onda que não dava mais para segurar. Gozei forte, ofegante, deixando escapar seu nome em um sussurro quase involuntário. Caí de volta contra os lençóis, o corpo quente, suado, mas relaxado. A respiração foi desacelerando aos poucos. Sorri sozinho, meio frustrado, meio fascinado. — Você é uma droga pior que qualquer outra, Isabella… — murmurei. Ainda pensei em como teria sido se aquela noite tivesse terminado de outra forma, mas o cansaço venceu. Fechei os olhos e, com Isabella ainda dominando meus pensamentos, adormeci. Pela primeira vez em muito tempo, uma noite de exageros não parecia tentadora.