Mundo de ficçãoIniciar sessãoA caminhonete preta levantava poeira enquanto avançava pela estrada de terra.
Nenhum dos homens dentro do veículo dizia uma palavra. No banco do passageiro... Nicolas observava a propriedade surgir ao longe. Uma casa antiga. Isolada. Cercada por árvores. Era o tipo de lugar onde ninguém ouviria um pedido de socorro. Eduardo desligou os faróis. — Estamos a trezentos metros. Lorenzo verificou a arma presa à cintura. — Meus homens cercaram toda a propriedade. Se ele tentar fugir... Não vai conseguir. Nicolas abriu a porta antes mesmo que o carro parasse completamente. — Senhor... Eduardo tentou impedi-lo. — Espere a equipe. Nicolas nem olhou para trás. — Maya está lá dentro. Cada segundo importa. ... Dentro da casa... Maya já não tinha forças para continuar batendo na porta. Estava sentada no chão. Abraçando os próprios joelhos. Tentava manter a calma. Precisava pensar em Gabriel. Precisava voltar para casa. Foi então que ouviu a porta da frente bater violentamente. Vozes. Passos. Ricardo levantou-se rapidamente da cadeira. Seu rosto perdeu a cor. — Como... Ele caminhou até a janela. E congelou. Vários homens cercavam toda a propriedade. Carros pretos. Lanternas. Homens armados. No centro deles... Nicolas Beaumont. Ricardo arregalou os olhos. — Impossível... Como ele me encontrou? ... Sem esperar pela equipe... Nicolas atravessou a porta da casa. Eduardo e Lorenzo vieram logo atrás. — Ricardo! A voz de Nicolas ecoou pelo corredor. Não havia raiva. Havia algo pior. Frieza. Silêncio. Ricardo deu alguns passos para trás. Tentava encontrar uma saída. Não existia. A casa já estava cercada. — Onde ela está? Nenhuma resposta. Nicolas aproximou-se lentamente. — Última chance. Onde está Maya? Ricardo sorriu de maneira nervosa. — Você veio pessoalmente... Então é verdade. Ela significa alguma coisa para você. Pela primeira vez... Nicolas não negou. Não respondeu. Apenas olhou para Eduardo. — Procurem. Agora. Os homens espalharam-se pela casa. Portas eram abertas uma após outra. Até que uma voz ecoou do andar de cima. — Senhor Beaumont! Encontramos! Nicolas subiu a escada correndo. Abriu a porta do quarto. Seu coração pareceu parar. Maya estava caída ao lado da cama. Pálida. Imóvel. Os cabelos espalhados pelo chão. Nicolas atravessou o quarto em poucos passos. Ajoelhou-se ao lado dela. — Maya... Nenhuma resposta. Com as mãos trêmulas, afastou delicadamente uma mecha de cabelo de seu rosto. Sentiu sua respiração. Fraca. Mas estava viva. Foi o suficiente. Sem pensar duas vezes... Passou um braço sob suas pernas. O outro envolveu suas costas. Ergueu-a com todo o cuidado do mundo. Como se tivesse medo de machucá-la. Maya permaneceu inconsciente. Sua cabeça repousou involuntariamente contra o peito dele. Nicolas fechou os olhos por um segundo. Aliviado. — Graças a Deus... Foi a primeira vez... Em muitos anos... Que pronunciava aquelas palavras. ... Ao descer as escadas... Lorenzo olhou para o amigo. Nunca o tinha visto daquele jeito. Nicolas não enxergava mais ninguém. Nem Ricardo. Nem os seguranças. Nem a casa. Só Maya. Eduardo aproximou-se. — A ambulância já está chegando. Nicolas balançou a cabeça. — Não. Ele continuou caminhando. — Eu mesmo vou levá-la. ... Do lado de fora... Assim que a porta do carro foi aberta, Nicolas acomodou Maya cuidadosamente no banco traseiro. Segurou sua mão por um breve instante. Como se precisasse ter certeza de que ela continuava ali. Depois soltou lentamente seus dedos. Fechou a porta. Voltou-se para Eduardo. A voz saiu baixa. Mas carregada de uma autoridade que fez todos se calarem. — Quero Ricardo vivo. Ele vai responder por tudo o que fez. Eduardo assentiu. — Sim, senhor. Nicolas entrou no carro. E, pela primeira vez desde que conhecera Maya... Não se importava com reuniões. Contratos. Empresas. Dinheiro. Nada disso tinha importância. A única coisa que importava... Era vê-la abrir os olhos novamente.






