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Capítulo 11 — Tão Perto

Capítulo 11 — Tão Perto

A segunda-feira chegou mais cedo do que Maya gostaria.

Ela acordou antes do despertador tocar.

Permaneceu alguns segundos sentada na cama, observando a carta de promoção sobre a cômoda.

Ainda parecia um sonho.

Assistente executiva da presidência.

Sorriu sozinha.

Depois olhou para a fotografia dos pais.

— Acho que vocês iam ficar orgulhosos de mim...

Levantou-se.

Preparou o café da manhã.

Antes de sair, entrou no quarto de Gabriel.

Ele ainda estava deitado.

Ao ouvir a porta abrir, sorriu.

— Hoje é o grande dia?

Maya assentiu.

— Estou nervosa.

Gabriel riu.

— Você fica nervosa até quando vai comprar pão.

Ela pegou um travesseiro e jogou nele.

— Engraçadinho.

Os dois riram.

Era raro começarem o dia assim.

Leves.

...

Às sete e quarenta e cinco...

Maya atravessou as portas de vidro da Beaumont Holding.

Patrícia já a esperava.

— Pronta?

Maya respirou fundo.

— Acho que sim.

— Relaxa.

Você vai se sair muito bem.

As duas entraram no elevador privativo.

Enquanto subiam, Patrícia começou a explicar sua nova rotina.

— A agenda do senhor Beaumont muda o tempo todo.

Você vai organizar reuniões, preparar documentos, acompanhar viagens e lembrar compromissos que até ele esquece.

Maya arregalou os olhos.

— Parece muita responsabilidade.

— É.

Mas você consegue.

O elevador parou.

As portas se abriram.

O último andar da Beaumont Holding era diferente de todo o restante do prédio.

Mais silencioso.

Mais reservado.

Mais elegante.

Patrícia apontou para uma mesa posicionada poucos metros da enorme porta de madeira escura.

— Essa é sua.

Maya passou a mão delicadamente sobre a mesa.

Era ali que trabalharia.

...

Poucos minutos depois...

A porta do elevador tornou a se abrir.

Nicolas.

Vestindo um terno cinza-escuro impecavelmente alinhado.

Caminhava como sempre.

Seguro.

Imponente.

Seu olhar encontrou Maya imediatamente.

Ela levantou-se.

Um sorriso gentil surgiu em seus lábios.

— Bom dia, senhor Beaumont.

Ele sustentou seu olhar por um segundo.

— Bom dia.

Patrícia sorriu.

— Senhor, a Maya começa hoje como sua assistente executiva.

Nicolas assentiu.

Como se já soubesse.

— Ótimo.

Depois voltou-se para Maya.

— Entre.

Ela pegou um bloco de anotações e o acompanhou.

Assim que cruzou a porta...

Parou discretamente.

A sala era enorme.

Uma parede inteira de vidro revelava a cidade.

Havia uma biblioteca.

Uma mesa de reuniões.

Obras de arte.

Tudo extremamente organizado.

Nicolas percebeu sua surpresa.

— Algum problema?

Ela sorriu sem graça.

— Não...

É só que essa sala é maior do que meu apartamento inteiro.

Por um instante...

Nicolas quase sorriu.

Quase.

— Vai se acostumar.

Ela concordou com a cabeça.

— Sim, senhor.

Ele caminhou até a mesa.

— Vamos começar.

Sua agenda fica sob sua responsabilidade.

Se houver qualquer alteração, quero ser informado imediatamente.

Nada pode atrasar.

Nada pode ser esquecido.

— Entendido.

— Não gosto de erros.

— Também não.

A resposta fez Nicolas erguer discretamente os olhos.

Ela não respondera por medo.

Respondera com convicção.

Aquilo lhe chamou atenção.

Ele continuou.

— Todas as reuniões passam primeiro por você.

Filtre ligações desnecessárias.

Se eu estiver ocupado, ninguém entra sem sua autorização.

Maya arregalou os olhos.

— Minha autorização?

— Exatamente.

Ela respirou fundo.

— Vou dar o meu melhor.

— Não espero menos.

A reunião terminou poucos minutos depois.

Maya recolheu o bloco.

Antes de sair, virou-se novamente.

— Senhor Beaumont?

— Sim?

Ela sorriu.

— Obrigada pela oportunidade.

As palavras saíram de forma tão sincera...

Que Nicolas ficou alguns segundos sem responder.

— Não precisa agradecer.

Você conquistou essa vaga por mérito.

Ela sorriu mais uma vez.

— Mesmo assim...

Obrigada.

Então saiu.

A porta fechou-se suavemente.

O silêncio voltou à sala.

Nicolas permaneceu olhando para a porta por alguns instantes.

Depois balançou a cabeça.

Pegou o primeiro documento do dia.

Tentou ler.

Cinco minutos depois...

Ainda estava na primeira página.

...

No corredor...

Patrícia aproximou-se de Maya.

— E aí?

Como foi?

Maya sorriu, aliviada.

— Melhor do que eu imaginava.

Patrícia observou a porta fechada da sala presidencial.

Depois olhou novamente para Maya.

Um sorriso divertido surgiu em seu rosto.

— Tenho a impressão de que o senhor Beaumont vai descobrir que trabalhar com você é muito mais difícil do que imaginava.

Maya riu.

— Difícil por quê?

— Você vai entender...

Maya apenas balançou a cabeça, sem compreender.

Enquanto isso...

Do outro lado da porta...

Nicolas fechou lentamente a pasta que tentava ler.

Apoiou a cabeça na cadeira.

Pela primeira vez desde que assumira a presidência da Beaumont Holding...

Sua maior distração não vinha dos concorrentes.

Nem dos contratos.

Nem dos bilhões que administrava.

Ela estava sentada do lado de fora de sua sala.

A poucos metros de distância.

E, pela primeira vez...

Ele percebeu que trazê-la para perto talvez tivesse sido a pior — ou a melhor — decisão de sua vida.

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