Tranquei a porta do apartamento e encostei nela como se estivesse me protegendo de um ataque invisível.
Respirei fundo.
Uma vez.
Duas.
Na terceira, perdi completamente a dignidade.
— EU DANCEI.
Falei em voz alta. Para a parede. Para o universo. E para os ancestrais turcos que, com certeza, estavam me observando em silêncio, decepcionados ou rindo.
Eu.
Dancei.
Não tropecei.
Não fugi.
Não desmaiei.
Dancei.
Levei a mão à testa e caminhei pela sala como um animal enjaulado.
— Não foi qualquer dança