Fiquei na cozinha, parada no mesmo lugar onde havia terminado meu último manti, como quem espera a sentença de um juiz, de um sultão.Porque era isso que Demir Osman parecia naquele momento: o grande lorde dos temperos, o ditador do cardamomo, o czar da culinária turca.E eu ali… esperando ele vir dizer que passei.Ou que estou demitida.Sei lá… talvez que sou um perigo nacional para as panelas turcas.Qualquer coisa.Os minutos foram passando.Um.Dois.Três.Silêncio, parecia que até o ar da cozinha havia evaporado.Nem um pigarro, nem um ranger de porta.Será que ele não viria? Ele disse: se você conseguir fazer, fica. Então deve ser isso, ou não?Eu já estava quase tirando o avental, dobrando e indo embora com dignidade (mentira, eu ia dramatizar e esbarrar em tudo no caminho), quando ouvi passos firmes se aproximando da porta.Demir atravessou a porta da cozinha com Umut atrás dele, fiel como sombra turca… ou como fofoqueiro profissional, tanto faz.Todos olham para ele, esperand
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