Aurora Moratti
O escritório do meu pai na mansão é um lugar onde o tempo parece parar. Desde criança eu entrava aqui para falar com o meu pai, ou para desenhar vendo ele dar ordens e movimentar seus negócios.
Cheira a papel antigo, tabaco de boa qualidade e uma autoridade que faz até os homens mais poderosos do país baixarem a voz. Eu estava de pé diante da sua imensa mesa de mogno, me sentindo como uma ré perante um juiz que também era o meu carrasco e o meu maior herói.
Dante Moratti não levantou os olhos do contrato que estava a assinar, ele andava mais ocupado por causa do meu irmão e a sua missão ao salvar a sua Elena. Não sei como ele arrumava tempo para me buscar na boate e ficar brigando comigo.
Olho para o meu pai que usava óculos de leitura, o que lhe dava um ar de intelectual perigoso.
— Uma especialização em Direito Internacional e Arbitragem? Em Paris? — Ele finalmente pousou a caneta e olhou para mim. O olhar não era de raiva, mas de uma análise profunda. — É uma