Aurora Moretti
O trajeto da boate até a mansão foi um ensaio para o inferno. Alexandre não disse uma palavra, mas a sua respiração pesada e as mãos cerradas sobre os joelhos preenchiam o carro com uma violência latente. Sara tentava quebrar o gelo com comentários fúteis sobre a música, mas até ela percebeu que o clima era de execução.
Assim que os portões de ferro se fecharam atrás de nós e o carro parou diante da fachada imponente da mansão Moretti, a porta foi aberta com um solavanco.
— Para dentro. Agora — rosnou Alexandre.
Entramos no grande hall de mármore. O eco dos meus saltos parecia o julgamento de um tribunal. Eu estava exausta de fingir, exausta de sentir o cheiro de Sebastian na minha pele e ter que traduzi-lo como "perfume barato" para o meu próprio sangue.
— O que foi aquilo, Aurora? — Alexandre girou sobre os calcanhares, apontando o dedo para mim. — Você sumiu por quinze minutos em uma boate cheia de ratos da Viccari! Você acha que eu sou idiota? Você acha que eu