Sebastian Viccari
Dez dias. Foi esse o prazo que o destino — ou a paranoia de Dante Moretti — deu para o meu tempo com Aurora se esgotar em solo brasileiro. Eu estava no 45º andar de uma das minhas torres em construção na Avenida Paulista. O esqueleto de aço e concreto rangia sob o vento da madrugada, e lá embaixo, a cidade era apenas um formigueiro de luzes indiferentes.
Eu sabia que ela viria. Aurora não conseguiria partir sem me encarar uma última vez. Ela precisa do conflito tanto quanto eu preciso da vitória.
Ouvi o som do elevador de carga parando. Passos firmes sobre o concreto bruto. Eu não precisei me virar para saber que era ela. O cheiro de orquídeas e medo sempre a precede.
— Você escolheu um lugar apropriado para se despedir, Sebastian — a voz dela estava rouca, fustigada pelo vento. — No topo do seu mundo, cercado por vigas que ainda não sustentam nada.
Virei-me lentamente. Ela estava usando um sobretudo longo, os cabelos presos em um coque apertado, a imagem perfei