Sebastian Viccari
O bar do Hotel Fasano era o território neutro perfeito para uma execução diplomática, ou quase isso. Meia-luz, o som discreto de um piano ao fundo e o aroma de whisky envelhecido. Eu estava no canto, observando o gelo derreter no meu copo, quando a porta se abriu e a temperatura do ambiente pareceu cair dez graus.
Alexandre Moretti não sabe entrar em um lugar sem projetar a sombra do pai, eles não tinham o mesmo sangue, mas isso não significava nada para a ligação que ambos tinham um com o outro. Ele caminhou até a minha mesa com a arrogância de quem acabou de ganhar uma guerra. Ele não pediu licença; simplesmente sentou-se à minha frente, sinalizando ao barman para trazer o mesmo que eu estava bebendo.
— Você parece um homem que perdeu o prazo de uma licitação, Viccari — começou Alexandre, com um sorriso que era puro veneno. — Ou talvez seja apenas o luto por algo que nunca foi seu.
Olhei para ele, mantendo a expressão de quem está entediado com um inseto persis