POV de Marjorie
Enquanto era guiada por Bruno até a sala de velório onde estava o corpo de Gildo, eu pensava em como tudo mudou na minha vida nos últimos cinco dias. Estava acostumada à extrema pobreza em que vivi e fui criada. Conhecia a sofisticação de alguns escritórios em que trabalhei enquanto fiz estágios, mas nada poderia se comparar a tudo o que vi nos últimos dias. Hotel cinco estrelas, banheira de hidromassagem, SPA, viagem de helicóptero, carro blindado, importado, bolo de dinheiro na mochila que meu pai e minha mãe teriam que trabalhar um ano inteiro, sem gastar nada e não conseguiriam juntar, e agora aquele cemitério.
O único cemitério que eu conhecia era um enorme terreno cercado por muros brancos pintados com tinta cal. Quando se entrava na sala de velório, via a grande imagem de Jesus Cristo em ferro, o caixão colocado em uma estrutura de ferro com espaços para acender velas aos pés do corpo, assentos pretos desconfortáveis de quatro lugares, onde todo mundo se esprem