POV APOLO
Eu não sei quanto tempo fiquei abraçado à Marjorie. Estava vivendo um inferno nesses dias. Não quis resolver nada; estava num torpor. Em questão de horas, perdi meu pai e a mulher. Minha cabeça só pensava em tudo o que vivi em vinte anos com Gildo, e a última conversa que tivemos ecoava sem parar.
Eu sei que nós nos abraçamos, sei que meu pai disse que me amava e mandou eu ser feliz. Eu queria ter sabido antes que aquela seria a última vez que veria ele. Queria ter abraçado mais, me despedido direito, dito que o amava. Mas nada daquilo foi possível, e agora eu estava ali, olhando pela última vez para a pessoa que mais me amou na vida. A única pessoa que eu tinha de verdade...
Marjorie me soltou, segurou minha mão e, sem dizer nada, me deixou me despedir. Desde que virei o chefe, só tinha tomado duas decisões que pedi para serem seguidas à risca: segurar o piloto incomunicável até que eu tivesse condições de interrogá-lo, e colocar câmeras de segurança em toda a sala de veló