O relógio marcava pouco depois das seis da manhã quando o som no quarto de hospital mudou. Primeiro, um bip acelerado. Depois, um movimento sutil dos dedos. Clara, que passara a noite sentada ao lado da cama do marido, foi a primeira a perceber.
— Pedro...? — ela chamou, com a voz trêmula, inclinando-se.
Os olhos dele, pesados e vagos, começaram a se abrir devagar. Um som rouco escapou de sua garganta, ininteligível, mas suficiente para arrancar lágrimas imediatas dos olhos de Clara.
— Calma, a