Felipe Diniz
Cancelo a última reunião com o setor de marketing da nova coleção de cosméticos. Entro no carro sem destino certo. As luzes de São Paulo passam como faíscas no vidro, mas não vejo nada. Só sinto o sangue batendo forte nas têmporas, uma urgência que me consome.
Quando finalmente abro a porta da cobertura, Helena já está ali. Sentada no sofá, as mãos juntas, os olhos marejados. Parece uma estátua que sabe que vai ser julgada.
— Felipe… — sua voz falha, um quase sussurro. — Precisamos