Capítulo 2

Nathan Keen

Eu sou Nathan Keen.

E, para boa parte das mulheres deste país, isso já diz tudo.

Meu nome está nas capas de revista, colunas sociais e bastidores de desfiles.

Algumas me chamam de visionário, outras de canalha.

Eu não me importo com o rótulo.

Contanto que ninguém tente me enfiar numa coleira.

Tenho uma regra simples: eu não me envolvo com modelos da minha agência.

Misturar negócios com cama é a receita perfeita para drama.

Eu não pertenço a ninguém.

Sou CEO de um império fashion.

A Model é uma marca de lingerie consolidada, com campanhas internacionais e contratos milionários.

O mundo compra o que eu vendo.

E o que eu vendo é desejo embalado em renda cara.

Por isso, quando meu pai entrou na minha sala com um brilho estranho nos olhos, eu estranhei.

— Encontrei a nossa nova modelo — ele anunciou, sem bater.

— E quero deixar uma coisa clara: nada de brincadeiras com ela.

Revirei os olhos.

— Por que essa em específico? Onde você a conheceu?

— Não importa. Ela é exatamente o que eu procurava. Curvas reais, presença, algo diferente dessas bonecas de vitrine.

Fiquei curioso. É raro ver meu pai empolgado.

— Quem é ela?

— Você vai ver. Ela está lá embaixo.

Desci o andar sem pressa, ajustando o paletó.

Quando entrei no saguão principal, esperava ver uma novata qualquer.

O que eu vi foi… outra coisa.

Uma garota parada perto da recepção.

Roupas simples, cabelo preso de qualquer jeito, tênis surrado.

Tinha algo cru nela. Real demais para o ambiente asséptico da Model.

Minha reação imediata foi irritação.

Ela destoava do meu cenário.

E eu odeio qualquer coisa fora do meu controle.

— O que essa garota está fazendo aqui? — perguntei, alto.

— Quem deixou entrar?

Ninguém respondeu.

Ela virou o rosto na minha direção.

Os olhos dela eram de um verde forte, que contrastava com a pele morena.

Havia ali desconfiança, exaustão… e um fogo irritante de orgulho.

— Isso aqui é uma agência de alto padrão, não abrigo de rua — soltei.

— Olhem pra ela. Toda amassada, parecendo que saiu de um banco de praça.

A atenção de todos se concentrou em nós.

Ela apertou a alça da mochila, mas não abaixou a cabeça.

Os olhos verdes se estreitaram.

— Tá com nojo da minha roupa? — a voz dela era firme, com um sotaque marcante.

— Problema seu. Eu não tô aqui pra agradar sua vista.

Sussurros surgiram ao redor.

Eu senti surpresa. Não era comum alguém me enfrentar assim.

— Eu não admito esse tom comigo — retruquei, me aproximando.

— Você entrou aqui por erro. Não pertence a este lugar.

Ela deu um meio sorriso provocativo.

E, antes que eu terminasse a frase, ela levantou a mão.

CLACK!

O tapa estalou no ar e ecoou pelo salão como uma chicotada.

A lateral do meu rosto ardeu.

Por um segundo, ninguém respirou.

Eu, Nathan Keen, levei um tapa na frente dos meus funcionários.

Na frente do meu pai.

Os olhos dela queimavam de fúria.

— Você não fala comigo como se eu fosse lixo — ela disse.

Por dentro, minha raiva fervia.

Por fora, mantive a expressão fria.

Ela se afastou, ainda ofegante.

Mais tarde, na reunião com a diretoria, meu pai ligou o telão.

— Encontrei a modelo da próxima campanha. Ela tem algo que nenhuma outra tem.

As luzes diminuíram.

Quando a primeira foto apareceu, perdi a capacidade de ironizar.

Era ela.

A câmera tinha feito mágica.

Ela vestia uma das peças da nova coleção de lingerie.

O tecido abraçava o corpo de um jeito perfeito.

Curvas marcadas, cintura fina, quadris desenhados, postura firme.

Os olhos verdes encaravam a lente com um desafio que eu reconhecia muito bem.

O mesmo desafio de quando levantou a mão contra mim.

Meu pai sorria, satisfeito.

— Quero que ela seja o rosto fixo da marca.

Permaneci calado.

A garota que me humilhou agora estava ali, exposta em tela gigante.

Meu orgulho doeu de novo.

Uma parte de mim quis rejeitá-la por capricho.

Outra parte teve uma ideia melhor.

Se ela fosse ficar… eu ia garantir que me conhecesse do jeito certo.

Não como o homem que ela estapeou.

Mas como o homem que comanda a vida dela a partir de agora.

“Você quis me enfrentar, garota? Ótimo.”

Eu a faria entrar no meu mundo.

Eu a faria sentir irritação, curiosidade, desejo.

E, quando estivesse completamente presa, eu cobraria o preço desse tapa.

À noite, fui a um clube noturno para extravasar.

Música alta, bebida farta, mulheres com intenções claras.

Escolhi uma delas — loira, corpo escultural — e fui para a área reservada.

Ela se jogou em mim com entusiasmo.

Eu correspondi no automático, tocando, provocando.

Mas no meio do caminho, a imagem que veio à minha cabeça não foi a dela.

Foi a da baiana de olhos verdes me encarando no saguão.

Me afastei na mesma hora, irritado.

Cancelei a noite e fui para casa.

No banho, deixei a água quente cair sobre o rosto.

O tapa voltou.

O olhar dela voltou.

A sensação de ser desafiado não saía da minha pele.

Ela tinha começado uma guerra.

E eu não perco guerras.

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Vera lu Silva Estou amando o livro
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