Mundo de ficçãoIniciar sessão— Sasha... — ele murmura novamente contra os meus lábios, sua voz agora é um sussurro rouco, carregado de um desejo que parece prestes a nos consumir. — Você não pode continuar ignorando o que está acontecendo aqui. Eu senti, com cada fibra do meu ser, que você me desejou no exato momento em que te beijei. O seu corpo não sabe mentir.
Eu sei, com uma clareza que me dói, que ele está coberto de razão. A maneira como o meu corpo responde ao toque dele é algo surreal, uma traição biológica que eu não consigo negar nem para mim mesma. Por mais que a minha mente tente gritar ordens de retirada, por mais que eu tente lutar contra essa força da natureza, a atração que sinto por Átila é inegável, magnética e absolutamente irresistível.
— Apenas deixe acontecer, Sasha... — ele sussurra, e sinto suas palavras reverberarem por todo o meu corpo, como se fossem um feitiço. — Pare de lutar contra si mesma.
Com um último gemido de rendição, um som que é metade prazer e metade derrota, eu me entrego completamente ao momento. Entrego-me aos sentimentos proibidos, ao desejo que queima e à urgência das mãos dele sobre mim. É uma rendição total, um abandono selvagem que me faz esquecer, ainda que por um breve e perigoso momento, todas as complicações, as promessas de ódio e as dores que nos cercam. No calor do nosso beijo, encontro uma paixão crua, primitiva e avassaladora, uma conexão que parece transcender todas as barreiras sociais e familiares que construímos. Nesse instante de cegueira sensorial, nada mais no mundo parece importar.
Contudo, no meio desse incêndio, uma vozinha — pequena, fria e cortante como gelo — surge nas profundezas da minha mente. "Lembre-se da Elena, Sasha. Lembre-se do rosto dela no hospital. Lembre-se do que o sobrenome desse homem fez a ela."
A lembrança vem como um choque elétrico de alta voltagem, um balde de água gelada que corta instantaneamente através da neblina de desejo que me envolvia. De repente, vejo com nitidez o rosto pálido da minha irmã, o sofrimento silencioso que ela enfrentou sozinha, a injustiça monumental que lhe foi infligida por essa linhagem de homens arrogantes. A dor dela, naquele segundo, torna-se a minha dor física, e sinto uma raiva vulcânica crescendo dentro de mim, uma determinação feroz de não permitir que essas emoções carnais me façam trair a única coisa que realmente importa: a memória dela.
O calor e a paixão que me consumiam transformam-se, em um piscar de olhos, em uma fúria gélida e calculada. Antes que ele possa sequer perceber a mudança na minha vibração, minha mão se solta violentamente do seu cabelo e meu joelho sobe com toda a força que minha indignação me proporciona, acertando-o diretamente no lugar mais sensível e vulnerável do seu corpo.
Átila solta um gemido abafado de dor pura, seu corpo dobrando-se involuntariamente como se tivesse levado um tiro. O impacto o faz recuar, perdendo o fôlego e o equilíbrio.
Ele cai de joelhos no chão do quarto, segurando-se com as mãos trêmulas, os olhos cinzentos arregalados em uma mistura de choque, surpresa e uma dor lancinante.
— O que... o que foi isso? — ele tenta articular, sua voz saindo entrecortada e fraca, o rosto empalidecendo sob a luz fraca.
— Isso foi pela minha irmã, Átila! — disparo, minha voz tremendo de uma raiva que finalmente encontrou vazão. — Não pense nem por um milésimo de segundo que eu vou esquecer o que a sua família fez a ela só porque você sabe como beijar. Não vou deixar que você use essa atração barata contra mim para me manipular e me transformar em mais um joguete dos Lykaios.







