Mundo de ficçãoIniciar sessãoSasha
Quando finalmente desligo o chuveiro e sinto a última gota de água quente escorrer pelas minhas costas, envolvo-me em um roupão rosa, de um tecido tão macio que parece um abraço. Sinto-me revitalizada, como se a água tivesse levado embora parte da poeira daquela festa exaustiva, e pronta para enfrentar o que quer que o destino reserve para esta noite. Saio do banheiro, deixando o vapor para trás, e me deparo com o quarto mergulhado em uma meia-luz suave, banhado pelas tonalidades douradas e violetas do entardecer que se despede. É quase noite, e o silêncio da casa nova é quase palpável.
E então, uma sombra se move no canto do quarto. Meu coração dá um salto violento contra as costelas e Átila surge da penumbra, materializando-se diante de mim. Imediatamente coloco a mão no peito, tentando conter a agitação frenética do meu coração, enquanto sinto minhas pernas ficarem perigosamente trêmulas.
— Desculpe-me, não tive a intenção de te assustar — ele diz, mas há um sorriso brincando no canto de seus lábios, um brilho de divertimento em seus olhos cinzentos que me irrita profundamente. Ele parece estar se deliciando com o meu estado de choque.
— O que você está fazendo aqui? — questiono, lutando para recuperar o fôlego e a compostura mínima que me resta. Este é o meu quarto, o meu refúgio, e ele acaba de invadi-lo sem aviso.
— Está se sentindo melhor após o banho? — ele pergunta, sua voz mantendo uma neutralidade calculada, mas seus olhos continuam carregados de uma intensidade que me faz querer desviar o olhar.
Eu aperto ainda mais o roupão contra o corpo, como se o tecido pudesse me proteger da presença dele.
— Sim, obrigada — respondo secamente, mantendo a voz curta e grossa para não dar margem a conversas.
— Ótimo, isso facilita muito as coisas entre nós — ele comenta, dando um passo à frente.
— Facilita? O quê, exatamente? — sinto o perigo no ar.
— Facilita para fazermos isso do jeito direito, Sasha. Sem mais fugas.
As palavras caem pesadas sobre mim, como se tivessem massa e volume. Sinto o peso da sua intenção.
— Olha aqui, Átila, eu estou exausta. Não tenho um pingo de energia para discutir nada com você agora. Eu só quero que você saia e me deixe em paz.
Ele sorri novamente, e eu sinto um frio na espinha. Estou com medo desse sorriso, porque ele não é o sorriso de um homem que vai obedecer.
— Eu não estou aqui para discutir, Sasha... — ele murmura, e o timbre da sua voz parece aquecer meu corpo instantaneamente. Meu coração dispara e sinto aquele frio incômodo de borboletas na barriga, uma reação biológica que eu odeio. Tento, com todas as minhas forças, não demonstrar o impacto devastador que a presença dele tem sobre mim, mas é uma batalha perdida. A intensidade dos seus olhos, a firmeza absoluta em sua voz, tudo isso me faz sentir encurralada em meu próprio quarto.
— Não estou aqui para brincar com esse seu joguinho infantil de gato e rato — ele continua, a voz baixando de tom.
— Átila! Eu fui extremamente clara com você no jardim. Não usei entrelinhas, não usei metáforas. Que parte do meu "não" você ainda não conseguiu entender? — questiono, tentando manter minha voz firme e autoritária. — Eu estou aqui única e exclusivamente por causa do Leo. Nada mais.
— Isso não basta, Sasha — ele diz, e sua voz, embora baixa, está cheia de uma determinação inabalável. — Nós não estamos mais sozinhos nesta equação. O Leo precisa de uma família de verdade, e isso significa que nós precisamos trabalhar juntos, como uma unidade. Precisamos fazer esse casamento dar certo, por mais que você resista. Eu entendo que você tem pouca idade e talvez por isso tenha esse descontrole emocional, essa necessidade de atacar... — ele declara, e a firmeza em sua voz é irritante de tão inabalável.
Engulo em seco, sentindo a pressão esmagadora do compromisso que assumi. Apesar de todas as circunstâncias terríveis que nos trouxeram até aqui, uma parte racional de mim sabe que ele tem um ponto. Precisamos coexistir. Mas o jeito que ele fala, como se eu fosse uma criança birrenta, me faz ferver de raiva.
— Eu sou adulta desde os meus dez anos de idade, Átila. A vida me obrigou a crescer enquanto você provavelmente brincava de ser rico — rebato com acidez.
— Então comece a agir como tal — ele devolve, rápido como um bote.
— O que você quer de mim, afinal? — pergunto, perdendo a paciência.
Ele sorri, um sorriso lento e predatório.
— Não está claro o suficiente para você?
— Sexo? É isso que você veio buscar? — pergunto, tentando soar indiferente, embora meu sangue esteja fervendo.
Ele sorri de novo, e desta vez o brilho em seus olhos é puramente carnal.
— Eu gosto de terminar o que começo, Sasha — ele responde, implacável.







