Mundo de ficçãoIniciar sessãoMeu coração martelou contra as costelas, um tambor frenético de pânico e indignação, enquanto observei a cena se desenrolar diante de mim como um filme de terror em câmera lenta. A proposta do Sr. Lykaios, tão cirurgicamente conveniente para os interesses dele e tão devastadora para a minha existência, deixou um gosto amargo e metálico em minha boca. Senti-me como uma peça de xadrez sendo movida por mãos invisíveis e impiedosas sobre um tabuleiro de interesses que eu mal compreendia.
Enquanto meus pais pareciam prontos para abraçar essa solução como se fosse a resposta divina para todos os nossos problemas, senti-me traída, nua e completamente desamparada. Eles não viram a Sasha, a mulher com sonhos e medos; viram apenas a peça que faltava para consertar um escândalo. Minha mente ecoou, em um looping doloroso, com a lembrança da perda de Elena. Lembrei-me do som do seu riso, que agora era apenas um fantasma, e do vazio abissal que sua partida cavou em minha alma. E naquele momento, diante desta proposta absurda de me casar com um estranho para manter o que era meu por direito, senti-me mais uma vez abandonada. Meus pais foram incapazes de compreender a profundidade da ferida que carregávamos. Para eles, a morte de Elena tornou-se apenas um obstáculo burocrático a ser superado em busca de poder, prestígio e da manutenção de uma fachada de perfeição perante a sociedade de Surrey. Eles estavam dispostos a sacrificar a minha liberdade e a segurança emocional de Leo em troca de uma aliança estratégica com os Lykaios. Era como se estivessem vendendo o que restou do amor de Elena para quem pagasse o melhor preço em status social. Olhei fixamente para o rosto do Senhor Lykaios. Procurei, desesperadamente, por qualquer lampejo de remorso genuíno ou compaixão em seus traços envelhecidos, mas tudo o que encontrei foi uma muralha de determinação e a autoridade inabalável de um patriarca que estava acostumado a ser obedecido sem questionamentos. Ele não me viu como uma pessoa, mas como o receptáculo necessário para garantir a linhagem de seu neto. Vi-me presa em um labirinto sem saída. De um lado, a lealdade inquebrável à memória de Elena; do outro, a responsabilidade esmagadora de proteger Leo de um mundo que queria devorá-lo. Mas, no fundo do meu coração, uma certeza queimou: eu não podia permitir que o filho da minha irmã fosse entregue, sozinho, nas mãos daqueles que eu culpava, com cada fibra do meu ser, pela morte dela. Se para ficar com ele eu precisasse entrar na toca do lobo, então eu entraria. Enquanto meus pais e Petros discutiam, com uma animação que me dava calafrios, os detalhes técnicos do casamento — datas, locais, advogados —, uma onda de raiva pura e incandescente cresceu dentro de mim. Foi um calor que subiu pelo meu pescoço, transformando minha tristeza em algo muito mais perigoso e afiado. Eu odiava aquela família. Odiava o nome Lykaios e tudo o que ele representava. Era um casamento de conveniência que eles queriam? Era um contrato que desejavam assinar? Pois bem, eles teriam o que pediram. Mas haveria um preço que eles não previram. Esse sobrinho dele, esse tal de Átila, não me tocaria. Ele poderia ter o meu nome no papel, poderia ter a minha presença nos jantares de gala e a minha imagem ao seu lado para as câmeras, mas ele nunca teria a minha alma ou o meu corpo. Seríamos os guardiões de Leo, seríamos os "pais" que o mundo exigia, mas nunca seríamos marido e mulher no sentido real da palavra. Eu seria uma fortaleza inexpugnável. Se eles achavam que podiam comprar a minha submissão com um anel de diamante e um sobrenome imponente, eles não conheciam a Sasha que nasceu da dor de perder uma irmã. Eu aceitei o jogo, mas as regras, a partir de agora, eu é que iria ditar no silêncio do meu quarto. Leo era o meu norte, e por ele, eu seria capaz de me tornar o pior pesadelo dos Lykaios.






