Mundo ficciónIniciar sesiónMaya Vicary acreditava ter a vida perfeita: uma carreira promissora no banco Nassau e um noivo rico que parecia ser o homem dos seus sonhos. Mas tudo desmorona na noite em que ela decide surpreendê-lo e o encontra nos braços da própria secretária. Humilhada, desempregada e de coração partido, Maya sai pelas ruas de Londres sem imaginar que aquela seria a pior noite de sua vida. Quando é atacada por um homem, um morador de rua surge para salvá-la e quase morre no processo. Sentindo-se responsável por ele, Maya decide ajudá-lo, mesmo sem saber nada sobre aquele homem misterioso que afirma não lembrar nem do próprio nome. O que ela não imagina é que o desconhecido que resgatou das ruas é, na verdade, Ethan Nassau, o herdeiro desaparecido de um dos bancos mais poderosos do país, dado como morto após um acidente no mar. Traído pelo padrasto e pela própria noiva, Ethan precisa recuperar sua identidade, sua fortuna… e sua vingança. Para isso, ele faz uma proposta inesperada a Maya: Um casamento por contrato. O acordo era simples: um casamento de conveniência entre duas pessoas feridas. Mas nenhum dos dois estava preparado para o que aconteceria quando o orgulho, a vingança… e o amor começassem a se misturar.
Leer másMaya Vicary,
Naquela noite eu tinha certeza de que estava prestes a viver um dos momentos mais felizes da minha vida. Três anos. Três anos ao lado de Freddy. Três anos amando um homem que, para mim, parecia ter saído diretamente de um sonho. Freddy não era apenas um homem bem sucedido, ele era o tipo de homem que fazia qualquer mulher acreditar em destino. A família dele era sócia de um dos bancos mais poderosos do país, o Nassau, e mesmo assim ele nunca me tratou como alguém inferior. Claro que ninguém é perfeito, Freddy sempre foi um pouco possessivo. Nos conhecemos na faculdade de finanças. Eu ainda lembro da primeira vez que ele sentou ao meu lado na aula de Mercado de Capitais. Tinha aquele perfume poderoso, caro, e um sorriso que parecia saber exatamente o efeito que causava. No último ano da faculdade começamos a namorar. Alguns meses depois, ele conseguiu para mim uma vaga como gerente em uma das unidades do banco. Eu me esforcei para provar que não estava ali apenas por causa dele… mas, no fundo, eu sabia que Freddy tinha aberto aquela porta. E naquela noite… Eu queria agradecer. Queria dar a ele algo que fosse mais do que palavras. Por isso menti. Disse que iria passar o nosso aniversário de três anos de namoro na casa dos meus pais. Freddy pareceu desapontado no telefone, mas logo disse que também teria que ficar até tarde no banco. Perfeito. Meu plano de surpresa estava seguro. Saí do trabalho às quatro da tarde e fui direto comprar tudo o que tinha imaginado. A melhor champanhe da loja. Pétalas de rosas vermelhas. Uma lingerie da mesma cor. Tudo estava dentro da sacola de papel que eu carregava quando estacionei na garagem do prédio dele. Meu coração batia acelerado enquanto eu fechava o carro. — Hoje vai ser perfeito… — murmurei para mim mesma. Peguei a sacola, minha bolsa e caminhei até o elevador privativo que levava diretamente ao apartamento dele. As portas se fecharam com um som suave, e durante a subida eu já imaginava a expressão de Freddy quando chegasse em casa. Surpresa. Felicidade. Talvez até lágrimas. Quando entrei no apartamento, comecei imediatamente a preparar tudo. Coloquei a champanhe primeiro no freezer para gelar mais rápido. Depois comecei a espalhar as pétalas de rosas pelo chão da sala. Pelo corredor. Pelo quarto. Fiz um caminho até a cama. Enquanto espalhava as pétalas sobre os lençóis brancos, meu coração estava leve, quase infantil de tanta felicidade. Depois peguei os pequenos balões vermelhos em formato de coração que havia comprado. Enchi vários deles e espalhei pelo quarto. Fiquei parada no meio do ambiente, olhando tudo. Era romântico. Talvez um pouco exagerado. — Ai, meu Deus… será que ele vai achar brega? — falei sozinha, rindo. Mas, para mim, estava lindo. Depois fui tomar banho. A água quente escorria pelo meu corpo enquanto eu imaginava Freddy chegando, abrindo a porta do quarto, me vendo ali. Meu rosto esquentava só de pensar. Quando saí do banheiro, vesti a lingerie vermelha. Ela abraçava meu corpo de forma provocante, delicada… íntima. Olhei para o espelho e senti um frio na barriga. — Hoje eu vou ser completamente sua… — sussurrei. Voltei para a cozinha, tirei a champanhe do freezer e coloquei no balde com gelo. Tudo estava pronto. Eu só precisava esperar. Foi então que meu celular vibrou. Freddy. Meu coração pulou. "Amor, onde você está?" Sorri sozinha. "Na casa dos meus pais ainda." Alguns segundos depois ele respondeu. "Vou chegar bem tarde em casa, não terei como passar na sua. A reunião parece não acabar nunca. Boa noite, meu amor. Amanhã nos vemos" Meu sorriso aumentou. "Tá bom, amor. Boa sorte aí." Ele não fazia ideia de que eu estava no apartamento dele. Deixei o celular de lado e caminhei pela sala observando a decoração. Foi quando ouvi um som. Um som que fez meu coração parar por um segundo. O elevador. O elevador privativo estava subindo. Franzi a testa. Aquilo era muito estranho. Freddy não disse que chegaria tarde? Um arrepio percorreu minha espinha. E se não fosse ele? Rapidamente peguei um roupão e o vesti por cima da lingerie, apertando o cinto com força. Caminhei devagar até a sala, ficando de frente para a porta do elevador. Meu coração estava batendo tão forte que parecia ecoar dentro do peito. O elevador parou. As portas começaram a se abrir. E então eu vi. Freddy… mas não estava sozinho. Ele estava com a Valerie. A secretária dele. Aos beijos. Uma pegação libidinosa dentro do elevador, o vestido que ela usava estava suspenso até a cintura e ele nunca cintura para cima. Os braços dela estavam ao redor do pescoço dele, e as mãos de Freddy seguravam a bunda dela e coxa de Valerie enrolava o quadril dele como uma cobra, aquilo fez meu estômago virar. Os dois estavam tão envolvidos no beijo que não perceberam minha presença. Até que Freddy levantou os olhos. E me viu. O susto no rosto dele foi imediato. Seu corpo inteiro congelou, como se tivesse sido atingido por um choque elétrico. As mãos dele se afastaram da mulher na mesma hora. — Maya?! A secretária virou o rosto confusa, ainda ofegante do beijo. Eu estava parada no meio da sala. Ainda buscando entender o que se passava ali. Atrás de mim, pétalas vermelhas espalhadas pelo chão. Balões em formato de coração flutuando perto do teto. O apartamento inteiro decorado para ele. Minha garganta queimava enquanto as lágrimas começavam a embaçar minha visão. Minha voz saiu baixa… quebrada. — Freddy…! — Respirei fundo, tentando entender como meu coração ainda conseguia bater. — O que… está acontecendo aqui?Maya Vicary Havia uma movimentação estranha dentro de mim naquela manhã. Uma inquietação que eu não conseguia explicar direito, como se alguma coisa estivesse fora do lugar. Ethan era bonito, gentil, inteligente… e toda a forma como eu o conheci fazia com que ele se tornasse um tipo de fetiche para mim. Algo misterioso, quase mágico. Um morador de rua que me salvou de uma situação absurda e, de repente, se revela um bilionário. O dono da empresa onde eu sempre sonhei trabalhar e onde dediquei boa parte da minha vida. Tudo aquilo parecia uma história tirada diretamente de um filme. Mas não era. Aquilo não era uma comédia romântica em que duas pessoas podem simplesmente se apaixonar e deixar o destino conduzir o resto da história. Existia um contrato frio entre nós dois, calculado com cuidado. Um acordo cheio de objetivos e interesses claros. E, para ser sincera, eu também não estava em um momento da vida em que pudesse me dar ao luxo de pensar em romance. Ainda assim, seria menti
Ethan Nassau Entrei no que um dia foi o meu quarto, e a sensação foi estranha, quase como se eu estivesse invadindo a vida de outra pessoa. Não era apenas a decoração que parecia diferente; era a atmosfera do lugar, como se o tempo tivesse seguido em frente sem mim. Caminhei lentamente até a varanda e me sentei na pequena mesa de ferro que dava de frente para o jardim e para a piscina. As luzes externas iluminavam a água tranquila e o gramado perfeitamente cuidado. Fiquei observando aquele cenário por alguns minutos, lembrando como aquele lugar havia sido o palco da minha infância. Eu tinha crescido correndo por aquele jardim, mergulhando na piscina nos verões intermináveis e ouvindo minha mãe me chamar para dentro de casa quando já era tarde demais. Também me lembrava do meu avô sentado em uma das cadeiras próximas, lendo o jornal com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo. Eu nunca conheci meu pai, então foi ele quem ocupou esse lugar na minha vida. Foi ele quem me ensinou t
Maya Vicari Eu ainda nem tinha tomado a presidência, mas já me sentia um pouco vingada… um gostinho a mais em toda aquela história. Porque, para mim, o que realmente havia valido a pena naquela noite foi ver a expressão de derrota no rosto de Freddy. A forma como ele me olhava, perdido, sem entender nada, sem saber como tudo tinha escapado do controle dele. Só aquela cena já teria pago qualquer esforço que eu tivesse feito. Mesmo assim, havia algo me incomodando. Era o jeito como meu corpo reagia toda vez que Ethan me olhava. Um arrepio estranho que subia pela pele, como se alguma corrente invisível passasse entre nós dois. Era magnetismo puro, disso eu não tinha dúvida. Talvez fosse normal. Ele era bonito, elegante, e quando queria podia ser surpreendentemente carinhoso. Além disso… ele tinha me salvado. Todos aqueles fatores juntos criavam uma sensação confusa, quase como se ele fosse algum tipo de príncipe salvador. Mas eu não podia misturar as coisas. Eu não estava ali por ro
Ethan Nassau Eu não saberia dizer exatamente quando aquilo começou. Talvez desde o momento em que Maya entrou na minha vida. Talvez desde a primeira vez que a vi enfrentar o mundo com aquela mistura de coragem e vulnerabilidade. Ou talvez fosse só agora, dançando com ela no meio daquele salão. Tudo que eu sabia era que, toda vez que ela se aproximava, algo estranho acontecia dentro de mim. Um aperto no peito. Um peso na garganta. Uma sensação sufocante que eu não sabia explicar. Eu não gostava daquilo. Não confiava naquilo. E também não iria deixar aquilo me dominar. Eu já tinha entregado meu coração uma vez. Para Hella. E ela me enganou da pior forma possível. Além disso, Maya não estava ali por mim. Ela mesma já tinha deixado isso claro desde o começo. Aquela história toda era sobre vingança. Quem ela amava era Fred. Eu sabia disso. Mesmo assim… Era impossível não perceber o perfume dela. Um aroma delicado, feminino, que parecia me envolver toda vez que ela se apro
Freddy Zampieri Aquilo estava errado. Tudo. Cada maldita coisa naquela sala estava errada. Eu permaneci parado perto de uma das mesas do salão principal da mansão Nassau, segurando um copo de uísque que já estava quase vazio. O cristal frio pressionava meus dedos enquanto eu olhava fixamente para o meio da pista de dança. A música lenta preenchia o ambiente, elegante, suave, como se nada de absurdo estivesse acontecendo. Mas para mim parecia um pesadelo. Porque no centro de tudo estavam eles dois. Maya. Nos braços de Ethan Nassau. Dançando. Não… não era apenas uma dança educada de festa. Era pior que isso. Eles estavam próximos demais. O braço dele envolvia a cintura dela com uma naturalidade irritante, como se aquele lugar fosse dele por direito. O corpo dela parecia encaixar perfeitamente no dele, como se já tivessem feito aquilo centenas de vezes. E os olhares. Maldição. Os olhos deles estavam presos um no outro como dois amantes em uma daquelas cenas ridículas de fi
Maya Vicari Por um bom tempo eu apenas observei. Observei Freddy Zampieri parado alguns metros adiante, ainda tentando entender o que estava acontecendo. A expressão dele era um misto de choque, incredulidade e algo mais profundo… algo que parecia medo. Aquilo me deu um prazer quase cruel. Ele ainda não sabia, mas o posto que acabara de receber já estava escapando por entre os dedos. Aquele momento de glória que ele saboreava há poucos minutos estava prestes a se transformar no início da queda. Mesmo assim, alguma parte dele parecia perceber que algo estava errado. Ethan aparecer do nada, depois de mais de um ano e de dado como morto, nunca poderia significar coisa boa para os negócios de Freddy. Eu fiquei ali, observando, esperando o momento certo. Foi então que vi Hella caminhar até Ethan. Quando ela se lançou sobre ele e o beijou, senti algo estranho dentro do peito. Um aperto súbito, quase doloroso, acompanhado de um nó incômodo na garganta. A sensação me pegou despreven
Último capítulo