Era uma quinta-feira.
Mais uma cirurgia encerrada. Tirei as luvas, a touca, o avental. Lavei as mãos em silêncio. Já no fim do procedimento, ouvi a voz de Heitor ecoando pelo corredor. Conhecia aquele timbre de longe. Cumprimentava os funcionários, simpático como sempre — e, por isso mesmo, eu sabia que ele queria algo.
Continuei ali, focado no ritual pós-cirúrgico. As técnicas preparavam o paciente para a transferência. Eu seguia em direção à saída da ala quando senti a presença dele ao meu la