Caius Varella
O silêncio dentro do carro era tão denso que parecia se expandir, ocupar cada centímetro do espaço entre nós.
Ela estava do meu lado. Selene. A mulher que, minutos antes, tinha enfrentado uma sala lotada de tubarões engravatados com o salto mais alto e o discurso mais afiado da história daquela empresa.
Mas agora…
Agora ela encarava o celular como se estivesse lendo a própria sentença de morte.
— Tá tudo bem? — perguntei, sem rodeio.
Ela piscou devagar, ainda olhando pra tela.
—