06h00.
Clara Valentina já estava correndo pelas ruas elegantes do Upper West Side.
Tênis branco limpo, fones no ouvido, batida de hip hop francês pulsando na cabeça.
O ar frio da manhã cortava os pulmões, mas ela seguia com passos firmes, controlados, como se deixasse para trás — a cada passada — os cacos de tudo o que um dia quase a quebrou.
Ela não corria só por vaidade.
Corria porque o corpo precisava suar o que a mente não podia mais carregar.
Corria pra fugir dos fantasmas.
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