Um Dia Roubado

Eles não voltaram para a mansão.

Nem para a empresa.

Nem para lugar nenhum que tivesse regras claras.

Caminharam sem pressa, como se o tempo tivesse decidido respeitá-los por algumas horas. Helena notou que Rodrigo já não olhava o relógio. Aquilo, por si só, era uma mudança.

— Você anda rápido demais — comentou.

— Profissionalmente falando ou pessoalmente?

— Pessoalmente. Parece que está sempre com pressa de chegar em algum lugar.

Rodrigo diminuiu o passo.

— Melhor assim?

— Muito. — Ela sorriu. — Hoje eu não tenho destino.

Rodrigo não respondeu.

Apenas deixou que ela entrelaçasse os dedos nos dele, sem pedir permissão. O gesto foi simples, quase casual — e ainda assim ele sentiu como se tivesse sido puxado para um lugar sem mapa.

Não soltou.

Pararam em uma pequena loja de rua, daquelas que vendem coisas sem propósito claro: livros usados, quadros tortos, objetos que ninguém precisa, mas todo mundo quer por algum motivo.

Helena entrou primeiro.

— Prometo não comprar nada estranho — dis
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