O Vilão que Eu Escolhi Ser

Natália

Ouço a porta se abrir quebrando minhas recordações.

O som metálico da fechadura gira devagar, como se a casa também precisasse de tempo para aceitar mais alguém ali dentro. Endireito-me no sofá antes mesmo de vê-lo. É automático. Meu corpo reage antes de mim.

— Nat?

A voz de Vitor vem do hall, despreocupada demais para quem carrega sempre mais coisas do que diz.

— Na sala — respondo.

Ele entra com passos largos, seguros, ocupando o espaço com facilidade. Camisa clara, mangas dobradas, o mesmo sorriso fácil de sempre. Traz uma sacola de papel na mão — provavelmente sobremesa, provavelmente uma tentativa de agradar. Vitor nunca chega de mãos vazias. Nunca chega vazio.

— Espero não estar atrasado — diz, deixando a sacola sobre a bancada. — O trânsito estava um inferno.

— Você chegou no horário — respondo. — Ainda nem terminamos de arrumar tudo.

Ele me observa por um segundo a mais do que o necessário. Como se estivesse tentando encaixar alguma coisa fora do lugar.

— Você está qui
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