Natália
A casa ainda guarda o cheiro do café da manhã, mas é um aroma vazio, sem a promessa de um novo dia. O relógio marca um horário indeciso, desses em que o tempo se arrasta, esperando por algo. Vitor deve chegar para o almoço em pouco tempo.
Eu me levanto e peço para Elza providenciar o cardápio num restaurante próximo e fazer uma salada gostosa. Quando volto lembranças de nós dois me invadem nessa quietude dolorosa de um coração que se recusa a seguir em frente e eu me pergunto, pela milésima vez, como tudo desmoronou tão rápido.
Estou sozinha na sala quando as memórias de nós dois voltam: Foi assim que tudo começou.
Com uma pizza.
[Corte de Cena/Flashback]
Vitor havia me convidado de um jeito leve, quase irresponsável. “Lá em casa”, ele disse, e a frase parecia inofensiva. Eu aceitei, mesmo sabendo que não havia romance, mas havia a esperança de que houvesse. Eu não imaginava que aquele hall — amplo, elegante, excessivamente bonito — seria o palco da minha ruína.
A cobertura era