Natália
Ricardo continua ajoelhado, as mãos apertando as minhas a beira o desespero. Ele respira fundo, o ar saindo trêmulo, e finalmente deixa que as palavras que ele guardou no porão da alma subam à superfície, cruas e sem filtros.
— A verdade Natália, é que eu já estava morrendo por dentro muito antes de ir embora.
Ele solta um riso amargo, curto, que soa como um soluço sufocado.
— Eu via você defendendo a nossa diferença de idade para os outros. Eu via você pertencer ao futuro, a um tempo que ainda vem, enquanto eu... eu já vivi demais no meu. O amor não acabou, Natália. Mas ele começou a sangrar quando eu me vi estéril. Eu olhava para você e via o que você ainda podia ser, e eu sabia que eu não tinha isso para te oferecer. Eu via o jeito que você olhava para as crianças, o jeito que seu corpo parecia saber que nasceu para ser mãe antes mesmo da sua mente aceitar... e eu senti repulsa de mim mesmo por te prender a um futuro limitado pela minha condição.
Eu abro minha boca para fal