Ricardo
Os dias não apenas passam; eles se arrastam, cada um mais longo e mais vazio que o anterior, como planilhas abertas demais na minha cabeça, onde cada célula vazia grita a ausência de Natália. Acordo sempre no mesmo instante, o corpo traído pelo hábito de não descansar, pela memória muscular de uma rotina que eu mesmo destruí. O teto do quarto me encara com aquela neutralidade clínica que eu sempre admirei em hotéis de negócios: um espaço sem alma, sem vestígios de memória, sem a marca d