Aquela manhã começou como todas as outras: cinza, pesada, sufocante. Levantei da cama sem vontade, com o corpo arrastado e a alma mais cansada do que o corpo. Não esperava nada. Já não esperava há dias. Ou, pelo menos, fingia não esperar.
Mas, mesmo assim, o ritual me arrastou até o portão. O sol mal nascia, e a rua ainda parecia adormecida. Coloquei a mão na caixa de correio, sem fé, só para cumprir o costume. E foi então que senti.
Um envelope.
Por um segundo, pensei que fosse ilusão.