Eu continuo andando.
Não porque quero.
Não porque tenho esperança.
Mas porque parar significaria pensar demais.
E pensar… dói mais do que a perna quebrada.
Cada passo é arrastado. O som do meu pé raspando no chão é irregular, feio, como algo que não devia estar se movendo sozinho. Minha respiração vem curta, falhada, e às vezes preciso parar só para não desmaiar. Apoio a testa na parede fria, fecho os olhos, e conto.
Um.
Dois.
Três.
Não para me acalmar.
Para ver se ainda estou aqui.
Porque tem