Eu continuo andando.
Não porque quero.
Não porque tenho esperança.
Mas porque parar significaria pensar demais.
E pensar… dói mais do que a perna quebrada.
Cada passo é arrastado. O som do meu pé raspando no chão é irregular, feio, como algo que não devia estar se movendo sozinho. Minha respiração vem curta, falhada, e às vezes preciso parar só para não desmaiar. Apoio a testa na parede fria, fecho os olhos, e conto.
Um.
Dois.
Três.
Não para me acalmar.
Para ver se ainda estou aqui.
Porque tem momentos em que eu queria não estar.
O pensamento não chega como um grito. Ele vem calmo. Lógico. Quase gentil.
Seria mais fácil parar.
Meu corpo já está destruído. Meu peito aperta a cada respiração. A dor não diminui, só muda de lugar, como se estivesse explorando novos cantos dentro de mim. Minha perna pulsa, quente, inchada, errada. Eu não sei por quanto tempo ainda consigo sustentar meu próprio peso.
Então a pergunta vem, inevitável:
Pra quê?
Pra continuar sofrendo?
Pra andar sem rumo?
Pra