Eu já não sei há quanto tempo estou andando.
O escuro deixou de ser cenário e virou estado de espírito.
Meus passos são automáticos. Arrastar. Apoiar. Respirar. Doer. Repetir.
A dor não é mais um pico — é um fundo constante, como um ruído que nunca desliga. Minha perna pulsa, pesada, cada movimento um erro. O ar entra nos meus pulmões como se passasse por vidro quebrado. Mas a pior coisa… não é o corpo.
É que as vozes tinham voltado.
Não vozes reais.
Lembranças com som.
Frases. Tons. Olhares qu