O mundo não havia acabado.
Mas dentro dele, tudo estava em ruínas.
Haruki demorou a perceber que ainda respirava. O ar entrava aos pedaços, como se tivesse de pedir permissão aos pulmões para existir. Cada inspiração vinha curta, cortante, rasgando o peito por dentro, como se algo estivesse quebrado — e estava. Ele sabia. Não precisava ver. O aperto, a dor surda que se espalhava pelas costelas, o ardor profundo que fazia sua visão escurecer a cada tentativa de puxar mais ar… tudo gritava que seu corpo estava ferido de formas que não se resolvem com força de vontade.
O cheiro foi a primeira coisa que o fez engasgar.
Sangue.
Ferro quente.
Poeira antiga.
Algo pútrido, indefinível, que fazia o estômago revirar mesmo vazio.
Haruki abriu os olhos com dificuldade. As pálpebras pareciam pesar toneladas. O mundo à sua frente era uma mistura distorcida de sombras e destroços. Vigas de aço retorcidas atravessavam corpos monstruosos esmagados sob o próprio peso da queda. Alguns ainda pareciam… re