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O Abismo não me quis MORTO

O chão continuava a ceder.

Não era rápido.

Era lento, cruel, deliberado — como se a própria terra estivesse decidida a me engolir pouco a pouco, saboreando cada segundo do meu desespero.

Minha perna afundava mais.

O buraco se alargava ao redor do tornozelo, depois da canela, depois do joelho. Eu sentia a pressão esmagadora apertar meus ossos, os músculos sendo puxados para baixo com força suficiente para rasgar tendões. A dor não era apenas intensa — era confusa, espalhada, impossível de localizar em um único ponto.

Eu gritava, mas minha voz já não parecia minha.

Os sons que saíam da minha garganta eram roucos, quebrados, quase animais. Cada tentativa de puxar a perna fazia o chão responder, cedendo mais, como se estivesse vivo.

Então ouvi.

— Grrrrrrrr…

Baixo. Grave. Faminto.

O som vibrou no ar e atravessou meu corpo inteiro, fazendo meu estômago revirar violentamente. Meu coração disparou de tal forma que achei que fosse explodir. O suor frio escorreu pela minha testa, desceu pelo pe
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