Eu não sei há quanto tempo estou aqui.
O tempo deixou de existir no momento em que a escuridão me engoliu por completo. Não há dia, não há noite. Não há começo nem fim. Apenas eu… e o som dos meus próprios passos, lentos, arrastados, irregulares. Cada movimento ecoa como um lembrete de que ainda estou vivo — e de que estar vivo dói.
A perna mal responde.
Cada vez que tento apoiá-la no chão, uma dor aguda atravessa-me de baixo para cima, como se o osso estivesse quebrado por dentro de propósito, para me impedir de seguir. O corpo inteiro protesta. Não é uma dor súbita — é constante, profunda, persistente. Daquelas que não gritam, mas corroem.
Respiro… ou tento.
O ar entra curto, incompleto. O peito aperta a cada inspiração, como se algo estivesse quebrado por dentro e se recusasse a cooperar. As costelas ardem. Sinto uma pressão estranha no abdômen, como se qualquer movimento errado pudesse fazer tudo colapsar de vez. Às vezes paro não porque quero, mas porque o corpo simplesmente deci