A dor não vinha em ondas.
Ela era constante.
Uma presença viva, pulsando, queimando, esmagando minha perna como se o próprio chão tivesse decidido me devorar lentamente. Eu sentia cada osso pressionado, cada nervo gritando em silêncio, um pedido inútil por alívio que nunca vinha.
Meu pé estava preso.
Não preso como alguém que tropeça.
Preso como algo que foi escolhido.
Tentei puxar a perna de novo.
O erro foi imediato.
A dor explodiu com uma violência tão absurda que meu corpo reagiu antes da mente. Um grito rasgou minha garganta, cru, descontrolado, carregado de um desespero que eu nunca soube que era capaz de sentir. Minha visão se encheu de pontos brancos, o mundo girou, e por um segundo achei que fosse desmaiar ali mesmo.
Mas não desmaiei.
A dor não deixou.
Minhas mãos afundaram no asfalto rachado. Senti a pele abrir, senti algo quente escorrer entre meus dedos, mas aquilo era irrelevante. Era insignificante diante do que acontecia da cintura para baixo.
Respirar se tornou difícil